JUVENTUDE
Brancura na alma
Olhos quase cegos
A que se soma
Um falar mais que vago
Ao longe, o horizonte em fuga...
Ao redor, a natureza – morta!
E, como a que nada preza,
Encontra-se a alma – incerta.
Aquém dos vales,
Só nebulosidade...
Além dos vales,
Também: nebulosidade...
Me sinto obscurecido,
Todo enuviado...
Só nuvens na paralisia
De meu desejo... de minha poesia...
Sob meus pés, gelo.
Em meu rosto, amarelo,
Um sorriso sem encanto,
Uma expressão abstrata.
A caneta, imóvel à mão,
Espera por qualquer ação.
Que seja um pensar reflexivo,
Um registro, em nada definitivo...
Escrevo versos indecisos em meu caderno,
Envolto em enlevos de abandono,
Débil das ternuras cetim
Almejadas num esperar sem fim...
E, ao riscar uma grafia trêmula,
Reflexo mudo de minha fala
Percebo que sem sonho,
No papel nada ponho
HTSR/009502121982
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