JUVENTUDE
As grandes horas! Raridade...
Gasta-se o tempo banalmente
Numa preocupação cronométrica
De se fazer coisas ocas...
As grandes horas! Vive-las?
Tolice! Isso seria um crime.
Só a produção redime.
Deixemos de novelas!
As grandes horas! Vive-las...
Excruciante incerteza
D’uma olvidada riqueza.
Deveremos perde-la?
Oh tempo, tempo, tempo...
Tudo na vida tem tempo.
Até nascer...
Até morrer...
E o viver?
Isto é um outro querer.
Fica para depois.
Existe sempre um depois.
Os dias vão passando
E nós vamos existindo...
Os dias são passados.
Foram feitos de criados!
Afetos?... Divagações?...
São só prisões.
Fazem-nos perder tempo.
O precioso tempo.
Ganhar o pão do meu dia.
Ganhar o pão do teu dia.
Eis a nossa função:
Viver a produção!
É vício ter sentimento.
E meu coração está repleto...
Somente o meu?
Também o teu!
De teus lábios entreabertos
Doces palavras escaparam.
Pousaram sobre os ponteiros
E as horas pararam...
Se tornaram grandes as horas.
Imensas, infindáveis horas...
Segundos, minutos, eu não mais os senti...
As grandes horas! Vivi...
HTSR/009619121982
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