Quem sou eu

Uma entidade difícil de definir pelo formalismo lingüístico. Entretanto, enquanto sujeito, defendo a liberdade de crítica e pratico a crítica da liberdade. Conseqüência: caminhar sobre o "fio da navalha" buscando o equilíbrio entre a transgressão e a disciplina, entre o rigor e a suavidade; tendo como "sol", a iluminar-me e a apontar-me o horizonte, a emancipação conferida pela reflexão ética e como forma primeira de expressão: a poesia.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Grandes Horas

JUVENTUDE

As grandes horas! Raridade...
Gasta-se o tempo banalmente
Numa preocupação cronométrica
De se fazer coisas ocas...

As grandes horas! Vive-las?
Tolice! Isso seria um crime.
Só a produção redime.
Deixemos de novelas!

As grandes horas! Vive-las...
Excruciante incerteza
D’uma olvidada riqueza.
Deveremos perde-la?

Oh tempo, tempo, tempo...
Tudo na vida tem tempo.
Até nascer...
Até morrer...

E o viver?
Isto é um outro querer.
Fica para depois.
Existe sempre um depois.

Os dias vão passando
E nós vamos existindo...
Os dias são passados.

Foram feitos de criados!

Afetos?... Divagações?...
São só prisões.
Fazem-nos perder tempo.
O precioso tempo.

Ganhar o pão do meu dia.
Ganhar o pão do teu dia.
Eis a nossa função:
Viver a produção!

É vício ter sentimento.
E meu coração está repleto...
Somente o meu?
Também o teu!

De teus lábios entreabertos
Doces palavras escaparam.
Pousaram sobre os ponteiros
E as horas pararam...

Se tornaram grandes as horas.
Imensas, infindáveis horas...
Segundos, minutos, eu não mais os senti...

As grandes horas! Vivi...

HTSR/009619121982

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