Quem sou eu

Uma entidade difícil de definir pelo formalismo lingüístico. Entretanto, enquanto sujeito, defendo a liberdade de crítica e pratico a crítica da liberdade. Conseqüência: caminhar sobre o "fio da navalha" buscando o equilíbrio entre a transgressão e a disciplina, entre o rigor e a suavidade; tendo como "sol", a iluminar-me e a apontar-me o horizonte, a emancipação conferida pela reflexão ética e como forma primeira de expressão: a poesia.

domingo, 29 de novembro de 2009

Questão de Querer

ADOLESCÊNCIA


Não basta abrir a janela
Para ver bichos e gente
Não se precisa ser crente
Para se carregar uma vela

Não ser cego não é o bastante
Para árvores e flores ver
Não é suficiente ser inteligente
Para saber compreender

Para se ter pensamentos coerentes
Não é preciso ser filósofo
Não é preciso que a mente crie mofo
Para que se tenha idéias brilhantes

Sem abrir a janela
Pode-se ver lá fora a vida
Pode-se – sim – compreende-la
E torna-la, para si, amada

Escutar sem ouvir
Eis aí uma grande virtude
Para que ouvir
Quando quem transmite é a quietude?

Chamar-se gente
Não é bastante para ser humano
Oh que grande engano
É chamar-se gente.

Não é preciso ser sol
Para assim brilhar
Não é preciso ser caracol
Para então rastejar


Crer que haja razão na esperança
É acreditar em algo que não se alcança
Só se vence com muita luta
E energia que não anda à solta

Não é necessário ser sábio
Para se saber procurar
Não é preciso ser gênio
Para se saber achar

Ser feliz
E não ser feliz
Dá no mesmo
É uma questão de esmo

Uma hora se é feliz por isso
Outra se é infeliz pelo mesmo isso
É tudo muito intuitivo
É tudo muito relativo

Ser pedra ou planta
É algo que não importa
Ser gente ou não
É algo muito vão

Não é preciso nascer imortal
Para algo se poder ser
No meio do mal

Importa somente vencer

HTSR/008016061981

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