ADOLESCÊNCIA
Não basta abrir a janela
Para ver bichos e gente
Não se precisa ser crente
Para se carregar uma vela
Não ser cego não é o bastante
Para árvores e flores ver
Não é suficiente ser inteligente
Para saber compreender
Para se ter pensamentos coerentes
Não é preciso ser filósofo
Não é preciso que a mente crie mofo
Para que se tenha idéias brilhantes
Sem abrir a janela
Pode-se ver lá fora a vida
Pode-se – sim – compreende-la
E torna-la, para si, amada
Escutar sem ouvir
Eis aí uma grande virtude
Para que ouvir
Quando quem transmite é a quietude?
Chamar-se gente
Não é bastante para ser humano
Oh que grande engano
É chamar-se gente.
Não é preciso ser sol
Para assim brilhar
Não é preciso ser caracol
Para então rastejar
Crer que haja razão na esperança
É acreditar em algo que não se alcança
Só se vence com muita luta
E energia que não anda à solta
Não é necessário ser sábio
Para se saber procurar
Não é preciso ser gênio
Para se saber achar
Ser feliz
E não ser feliz
Dá no mesmo
É uma questão de esmo
Uma hora se é feliz por isso
Outra se é infeliz pelo mesmo isso
É tudo muito intuitivo
É tudo muito relativo
Ser pedra ou planta
É algo que não importa
Ser gente ou não
É algo muito vão
Não é preciso nascer imortal
Para algo se poder ser
No meio do mal
Importa somente vencer
HTSR/008016061981
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