JUVENTUDE
Ah... quão tormentosas, minhas noites de verão.
O calor me inflama os sonhos e pesadelos,
Aquece-me o que de dia me é reprimido
E transporta-me a fantasias mil!
Meu pálido romantismo dá-me sua unção
E deixo-me transportar a outros paralelos
Sem olhar para frente e esquecido do tempo ido
Transcendente em terras e mares de azul anil
As brisas celestes, suaves me acariciam o peito
E a beijar-me o coração, está o amor duma mulher
Excito-me então na loucura dum amor endoidecido
Sonhando com mãos e rosto de ternura
À sina doida dum amor infinito
Revivo devaneios que quis um dia ter
Enamorando-me cego, doido, alucinado
Por aquela que a minha alma conquistara.
E que beijos de amor me reacenderam!
Que hálitos doces e enfeitiçados!
Carícias de mãos lisas e suaves
Encheram meu corpo de ardor.
Vi mundos de ilusão que passaram
Senti-me um ente encantado
E voei tão alto quanto ave
Nas cismas encantadas do langor
Sonhava morrer em teus joelhos
Sob um sol oriental de púrpura
Tanto era o amor que abraçava
Tanto era o júbilo que sentia
Previ o futuro em mágicos espelhos
Aqueles dois lábios de ventura
Nunca seriam separados, pensava
Num gozo que me todo possuía
Junto as pomas que tremiam
Meu peito em êxtase desmaiou
Afoguei-me em cabelos de seda
Ressuscitando num colo efervescente
Seus seios loucamente suspiravam
Num prazer que forte se insinuou
Em seu corpo de doçura lânguida
Em seus olhos de brilho incandescente
Foi-me, de todas, a noite mais linda.
Corpos tão amantes suando
Formas nuas no leito resvalando
Envoltos em balsâmicos delírios
Para sempre guardarei em morte ou vida
A imagem de suas pálpebras fechando
A cor de seus lábios abrindo
E a candura alva de seus seios.
HTSR/010218021983
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