JUVENTUDE
Tudo tem duas faces, tudo é sol ou noite
Tudo tem duas faces, a vida ou a morte.
Numas noites: vagos desejos, ânsia de ternuras,
Noutras, marmóreos sonhos de desventuras...
Tudo tem um sim e um não,
Um inverno e um verão,
Uma derrota e uma vitória,
Correndo dúbia a nossa história!
Há o ignóbil, o mentiroso, o desleal,
O vil de torpeza magistral!
E há aquele, que em contraste, quase santo
Leva uma vida injusta de incógnito.
Tudo tem duas faces, o claro e o escuro.
Numas horas a prisão sólida de um muro,
Noutras a liberdade dum campo aberto,
E a dúvida de se estar longe ou perto...
Tudo tem um ser e um não ser.
A já velha questão Shakespeareana!
Mas a aviltada alma humana
Parece à isso não perceber.
Numas horas estamos a fazer, noutras a buscar.
E num eterno brincar de procurar
Nos assalta a covardia dos momentos cruciais,
No amor, tornando-nos, então, banais!
Amor! - Dito na voz da lira interna
É incomparável à oratória articulada
De umas três palavras decoradas,
Impura como os lábios que a externa!
Amor! – Uma questão de sim e de não.
Uma questão de realidade ou ilusão,
Que nos leva à alegria ou à dor
No desabrochar ou murchar de flor!
Já foi dito: tudo tem duas faces.
Certas horas, nos sentimos corajosos,
Noutras, tímidos e receosos
Num eterno trocar de faces...
Favorável ou não? A questão é de momento.
Queiramos ou não o momento rege a vida.
Saberemos se longe ou perto?
Se é chegada a hora almejada?
Tudo tem duas faces! O tempo também.
O balançar do pêndulo num vai e vem
Em certos instantes nos traz a incerteza morta,
Noutros, a heróica certeza que nos desperta!
HTSR/009822011983
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