Quem sou eu

Uma entidade difícil de definir pelo formalismo lingüístico. Entretanto, enquanto sujeito, defendo a liberdade de crítica e pratico a crítica da liberdade. Conseqüência: caminhar sobre o "fio da navalha" buscando o equilíbrio entre a transgressão e a disciplina, entre o rigor e a suavidade; tendo como "sol", a iluminar-me e a apontar-me o horizonte, a emancipação conferida pela reflexão ética e como forma primeira de expressão: a poesia.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Sem Título

JUVENTUDE

Um nevoeiro ainda que esparso
Se confunde em minha visão endoidecida
E vejo fundir-se numa só figura
As imagens de meu sonho liberto

Nas notas tímidas d’um compasso
Diviso minha ânsia musicada
E de pasma minha mente se embaralha
Assim como tudo que me é de resto

Descontinuamente, instável, flutuante
Vagueio no entender d’uma filosofia
Buscando incrédula ou beatificamente
Sei lá o quê num porque longínquo

Divago em minha tese inconsistente
Mesclada às minhas fantasias de ironia
Introduzindo ideais mutantes
Num concluir que me é inócuo

É pela dúvida da verdade
Que me acresce o nevoeiro
Fecundador de suposições
Que me atiram ao contestável

Atormentado em tosca relatividade
Sinto até o inodoro
E fertilizo fúteis ficções
Sobre o que é inalterável

Imagino que um vento espectro
Soprou dúvida sobre o Universo
E noite fez-se no saber
Que de claro, escureceu

Eis a razão lógica do encontro
Motivado em firme compasso
Buscar o pleno conhecer
Do que não se respondeu

Olhando uma simples flor
Lhe percebo mais do que a fragrância
Do silêncio glacial que lhe paira
Estende-se a mim um alo de consciência

Andando em nevoeiro. Indolente,
Ouço o protesto da existência
E a dor da evolução me esbarra
Cobrando-me da ida inocência.


HTSR/008319031982

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