Quem sou eu

Uma entidade difícil de definir pelo formalismo lingüístico. Entretanto, enquanto sujeito, defendo a liberdade de crítica e pratico a crítica da liberdade. Conseqüência: caminhar sobre o "fio da navalha" buscando o equilíbrio entre a transgressão e a disciplina, entre o rigor e a suavidade; tendo como "sol", a iluminar-me e a apontar-me o horizonte, a emancipação conferida pela reflexão ética e como forma primeira de expressão: a poesia.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Então era tudo falso

ADOLESCÊNCIA

Aqui existe falsidade
Sim... muita falsidade
Como isto me entristece
Como isto me enfraquece

Por que, entre tantos “mundos”,
Ela escolheu logo este?
Este pequeno mundo
Para espalhar sua peste?

Logo o meu mundo
Meu triste mundinho
Onde pus tanto sonho
Onde ainda vinha sonhando

Quanto me foi de amor
Quanto me foi de calor
Quanto me foi de vida
Só de vida mentida

Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não!
Eu só transmito
O que me sente o coração.

Aqui é tudo tão falso
Que pensam que também sou falso
Assim fosse meu pensamento
Assim fosse meu tormento

E eu que pensei ter encontrado alegria
Vi que é uma alegoria
Que em uma dor imensa
Só quer dizer farsa

Vazio encanto ébrio de si
Só de segui-lo me perdi
Por que o desejei?
Quanto me iludi!

Tudo que sonhei é um enigma
Que se esconde não sei onde
E a minha alma já cansei
De procurar debalde

O que me dói tanto
Não é o que há no coração
Mas sim o desencanto
Dessas coisas que nunca existirão

São formas sem forma
Que passam depressa
Sem que conhecer as possa
Ou as sonhar a alma

Porque é tudo tão falso
No que há e no que penso?
É tudo um indesejo
No mundo que vejo

Contemplo o que não vejo
Num tarde quase escuro
E quanto ao meu desejo
Ficou além de um muro

O amor me foi começado
Num ideal que não acabou
Mas que já se enfadou
Por ser tão enganado

Sonhei que fui feliz
Veja o mal que fiz
Me enganei tanto
Que estou ficando morto

Como um réquiem de saudade
Estou compondo esta poesia
Na dor que minh’alma esvazia
Rindo triste da verdade

Antes fosse tudo inverdade
Não perceberia a falsidade
Não sonharia tanto
Não almejaria tanto

Quando se pensa ser amado
Na verdade nem se é gostado
É-se um mero esquecido
Um pobre desprezado

Oh triste verdade
Triste verdade
É tudo tão falso
Tudo tão falso

Por que fui descobrir isso agora?
Pobre de minha vidinha
Pobre coitadinha
Tão boba, tão sonhadora

Tenho tanto sentimento
Que me perco em pensamento
Imaginando a falsidade
Ser uma tímida verdade

Se fosse outro, seria outro
Se em mim houvesse certeza
Não seria fluído neutro
Teria decerto mais firmeza

Mas já me ronda a incerteza
Dum mar de dúvidas e poréns
Me falta a clareza
Que de ao meu sofrer amén

Então me iniciaria na luz
Ainda que em dia tristonho
Porque o limiar é medonho
E todo o passo é uma cruz

Mas tudo isso é ufanismo
Minha crença é infantil
Mas o mundo é mesmo vil
Um poço de demagogismo

A minha vida sentou-se
E não há quem a levante
Ela já está doente
Minha vida fartou-se

Fartou-se do que é falso
Da almejar o que não posso
Torpe mundo de cinismo
Fez de minha vida um cataclismo

Só agora descobri
O que realmente me rodeia
E de vergonha me cobri
De ver onde meu ser devaneia

Entre o que vivo e a vida
De minha atual estada
Prefiro aquela descida
Que me leva ao nada

Qualquer coisa me valerá
Melhor que a vida que tenho
Esta vida de estranho
Que só me dilacera

Tivesse eu conseguido
Nunca saber de mim
Ter-me-ia esquecido
De ser real assim

HTSR/006310051981

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