Quem sou eu

Uma entidade difícil de definir pelo formalismo lingüístico. Entretanto, enquanto sujeito, defendo a liberdade de crítica e pratico a crítica da liberdade. Conseqüência: caminhar sobre o "fio da navalha" buscando o equilíbrio entre a transgressão e a disciplina, entre o rigor e a suavidade; tendo como "sol", a iluminar-me e a apontar-me o horizonte, a emancipação conferida pela reflexão ética e como forma primeira de expressão: a poesia.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Eu?

ADOLESCÊNCIA

Quem sou eu?
Será que eu sou eu mesmo?
Ou, simplesmente, me imagino eu
Assim, sem nenhum esmo?

Será Que minha alma se lembra de mim?
Ou do que fui de mim?
Ressuscita-te memória!
Conta-me minha história!

Quando penso em mim
Sinto-me como num mar de lembranças fluídas
Ou num lago de bobas nostalgias
Ou, ainda ,no Oriente entre trapos de cetim

Serei eu alegre ou triste?
Gostaria de melhor saber
Para melhor me pertencer
E descobrir o que no coração existe

O que será a tristeza?
Existe nela clareza?
O que será a alegria?
Será ela só fantasia?

Gostaria realmente de saber
Porque não sei o que fazer
Quando sou o bobo triste
Ou o alegre demente

Vezes me vejo tão atento
E noutras tão disperso
Que em cada pensamento
Me torno mais diverso

Acho que minha alma
Condiz com o que não existiu
É algo que nem se doma
Uma coisinha que sumiu

Serei eu alegre ou triste?
Não vejo razão de na tristeza me esconder
Ou de na alegria me perder...

É tudo um grande embuste

Vai ver que sou alegoria
Me rio com a tristeza
E choro com a alegria
Que interessante estranheza

Se vivo é porque me perdi
Se amo é porque não amei
Serei mesmo complicado
Ou somente iludido?

Às vezes tenho saudades de mim
De quando não era assim
Mesmo sem saber de mim
Ou se já tive começo ou fim

Talvez esteja iniciando
Ou, ainda, me findando
Não sei bem ao certo...
Nem posso saber tanto...

Triste momento que um olhar
Sorriu incerto para mim
Deu em minha alma lugar
À um Ser inconstante assim...

Já fui adulto na infância
E criança na adolescência
Agora, adulto não sou nada...
Talvez, uma obra inacabada...

Cansa pensar demais
Pensar nunca tem bom fim
Em não saber de mim
Não me sinto de menos nem demais

Afinal, alegre ou triste?
Em verdade não sei
Sou qualquer coisa que existe
Algo como que “agnus Dei”

E por que não?
Num momento de então
Sou ente que Deus fadou

E que, decerto, aqui pousou...

HTSR/005730041981

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