Quem sou eu

Uma entidade difícil de definir pelo formalismo lingüístico. Entretanto, enquanto sujeito, defendo a liberdade de crítica e pratico a crítica da liberdade. Conseqüência: caminhar sobre o "fio da navalha" buscando o equilíbrio entre a transgressão e a disciplina, entre o rigor e a suavidade; tendo como "sol", a iluminar-me e a apontar-me o horizonte, a emancipação conferida pela reflexão ética e como forma primeira de expressão: a poesia.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Retrospecto do Nada

ADOLESCÊNCIA

Por que em mim é tarde
Por que, afinal, me sinto perdido?
Assim vazio e cansado?

Por que em mim a febre arde
A febre das saudades imprevistas?
A febre dos tolos suicidas?

Sinto-me na hora parada
Na hora estagnada
Na hora do nada!

No espaço lúgubre
Como ponta de sabre
Sinto o vazio do tempo

Por que a emoção indefinida
Me corrói a vida
Minha vida enfadada?

Por que canto a amargura
Estou acostumado à desventura
Foi sempre assim

E eu, bastardo do sentimento
Perdido na areia da praia
Ainda sonho com fantasia

Onde estou o som marulhoso
Me faz melindroso

Afogando-me em desejos

Mas de que me valem
Não passam de sonhos
E sempre tacanhos

Meus olhos perdidos
Contemplam o céu de cor cinza
Do horizonte infindo

Com suas nuvens azuladas
Com seu ar esfumaçado
Pesado e entristecido

E me sinto mais no nada
Na hora insalubre
Na hora parada

Em mim já é tarde
Muito, muito tarde
Um tarde infinito

De momentos apagados
De esperanças mortas
De séculos inteiros

Minh’alma então cansada
Pelo mar vagueia
Sem noção e sem idéia

Buscando barcos perdidos
De velas rasgadas

Para sempre esquecidas

HTSR/005120031981

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