ADOLESCÊNCIA
Por que em mim é tarde
Por que, afinal, me sinto perdido?
Assim vazio e cansado?
Por que em mim a febre arde
A febre das saudades imprevistas?
A febre dos tolos suicidas?
Sinto-me na hora parada
Na hora estagnada
Na hora do nada!
No espaço lúgubre
Como ponta de sabre
Sinto o vazio do tempo
Por que a emoção indefinida
Me corrói a vida
Minha vida enfadada?
Por que canto a amargura
Estou acostumado à desventura
Foi sempre assim
E eu, bastardo do sentimento
Perdido na areia da praia
Ainda sonho com fantasia
Onde estou o som marulhoso
Me faz melindroso
Afogando-me em desejos
Mas de que me valem
Não passam de sonhos
E sempre tacanhos
Meus olhos perdidos
Contemplam o céu de cor cinza
Do horizonte infindo
Com suas nuvens azuladas
Com seu ar esfumaçado
Pesado e entristecido
E me sinto mais no nada
Na hora insalubre
Na hora parada
Em mim já é tarde
Muito, muito tarde
Um tarde infinito
De momentos apagados
De esperanças mortas
De séculos inteiros
Minh’alma então cansada
Pelo mar vagueia
Sem noção e sem idéia
Buscando barcos perdidos
De velas rasgadas
Para sempre esquecidas
HTSR/005120031981
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