ADOLESCÊNCIA
O substantivo do meu ser é abstrato
O artigo de minh’alma indefinido
Meu ser é dependente
Ao tempo que é independente
O nome próprio de minha essência
É ser essência apenas
O que a mim é tão comum
Tão impróprio como eu mesmo
Penetro em mim
Minha existência sou eu
E eu sou a existência
Sendo penetrada por mim
De que me vale a nova idéia?
Tal como sou
Neste presente exíguo
Em que só não vejo a mim?
De concreto existe apenas
Meu escrever nesta cultura rala
Em que fui inserido
E em que vegeto
A inconsistência de mim próprio
Me transpõe os poros
Me eleva e sacode
Ma vacila e faz cair
Aonde irei neste sem fim perdido
Neste mar ôco de certezas mortas
Fingidas, afinal, todas as verdades
Que julguei haver construído
Na floresta dos sonhos, dia a dia
Se interna minha razão impensada
Nas regiões do vago esquecimento
Me conduz passo a passo a fantasia
Sou inferior ao que já fui
Sou insignificante ao que seria
Já não me valem incompletas conclusões
Que a si se bastam sem bastar a mim
Incerteza dum mistério
De dúvidas cismadas
É meu ser dentro de mim
Títere do que não sou
HTSR/004120101980
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