Quem sou eu

Uma entidade difícil de definir pelo formalismo lingüístico. Entretanto, enquanto sujeito, defendo a liberdade de crítica e pratico a crítica da liberdade. Conseqüência: caminhar sobre o "fio da navalha" buscando o equilíbrio entre a transgressão e a disciplina, entre o rigor e a suavidade; tendo como "sol", a iluminar-me e a apontar-me o horizonte, a emancipação conferida pela reflexão ética e como forma primeira de expressão: a poesia.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Ambigüidade

ADOLESCÊNCIA

O substantivo do meu ser é abstrato
O artigo de minh’alma indefinido
Meu ser é dependente
Ao tempo que é independente

O nome próprio de minha essência
É ser essência apenas
O que a mim é tão comum
Tão impróprio como eu mesmo

Penetro em mim
Minha existência sou eu
E eu sou a existência
Sendo penetrada por mim

De que me vale a nova idéia?
Tal como sou
Neste presente exíguo
Em que só não vejo a mim?

De concreto existe apenas
Meu escrever nesta cultura rala
Em que fui inserido

E em que vegeto

A inconsistência de mim próprio
Me transpõe os poros
Me eleva e sacode
Ma vacila e faz cair

Aonde irei neste sem fim perdido
Neste mar ôco de certezas mortas
Fingidas, afinal, todas as verdades
Que julguei haver construído

Na floresta dos sonhos, dia a dia
Se interna minha razão impensada
Nas regiões do vago esquecimento
Me conduz passo a passo a fantasia

Sou inferior ao que já fui
Sou insignificante ao que seria
Já não me valem incompletas conclusões
Que a si se bastam sem bastar a mim

Incerteza dum mistério
De dúvidas cismadas
É meu ser dentro de mim

Títere do que não sou

HTSR/004120101980

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