ADOLESCÊNCIA
"Das glücklichste Wort es wird verhöhnt,
Wenn der Hörer ein Schiefohr ist."
Goethe
Minha poesia ingênua
É leve, ondulante e fina
De simplicidade nua
Misto de garça e de menina
Escrevo versos
Tão bobos e tão falsos
Às vezes assim como eu
Por vagarem ao léu
Palavras d’um improviso
Riscos d’um braço indeciso
Atrás do que seduz
Sem guia e sem luz
Gotas de modernismo…
Às vezes de romantismo…
São como um nada
Despertando risada
A vida é assim mesmo
Desprovida de êsmo
Cheia de esperanças
Completadas por farsas
Displicente, trêmula e leve
Descrente minha mão escreve
Coisas que passam
E nem tocam
Invade-me a tristeza indefinida
De coisas quase esquecidas
E no coração sombrio
Sobra-me só o vazio
Assim, escrevo sem amor
E sem filosofias
Meras poesias
Sem vontade e sem ardor
Então, sem manhãs
Falo de coisas vãs
Às vezes em solfejo
Às vezes em arrojo
Fria no meu escrever
Uma lágrima desce
Do meu querer
Que já desaparece
Num mar de não coisas
Cantadas em poesias
De sílabas pendentes
Que se apagam lentamente
HTSR/003509101980
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