ADOLESCÊNCIA
Se te escrevo tanto
É porque ainda te tenho apreço
Nada ganho e nada alcanço
Mas exercito o pensamento
O escrever é como o cantar
Quanto mais se canta
Melhor fica o entoar
Exercitando-se a garganta
Escrevendo eleveo o meu pensar
Ainda que não percebas
E cxonsideres minhas linhas bobas
Tão pouco quanto meu falar
Sou o pálido poeta das flores
Que canta a beleza das dores
Fazendo-me de idiota
À quem pouco importa
Como que jogando folhas ao vento
Sei que as letras do meu encanto
São lidas como que pelo rio
Disso me divirto e até sorrio
Ainda que desfolhasse a matéria impura
Ela não ficaria mais pura
Pois já o é em matéria
E assim para sempre ficaria
Foi por ti, num sonho de ventura
Que a flor da alegria consumi
E com ela me sumi
Numa imagem de candura
A tise ergueram meus tristes versos
Reflexos sem calor de um sol intenso
Sonhei tanto de amor
Que não vi na vida o louvor
Cantando rios e flores
Envolvo-me em meus amores
Vejo que não sou insensível
Mas não vejo meu amor invisível
Se eu o pudesse ver
Não amaria a atraente borboleta
Tão imatura em seu ser
E diria a tudo um basta
Quizera dessa colorida comédia
Tirar linhas de proveito
Mas dia a dia
Me vai acabando o intento
Se te escrevo tanto
É porque não sei o que canto
Vou escrevendo e cantando
Enquanto estou amando
HTSR/003611101980
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