ADOLESCÊNCIA
A chave na porta
Lá tão rotineira está
O que me importa
A chave na porta
Seu chaveiro oscila levemente
Braços cruzados, sem nada querer
Observo-o como que dormente
Saberei da vida o querer?
A chave lá está
Tão muda, tão quieta
Não tem vida, nem ação
Só funciona por torção!
Fico a imaginar o abrir e fechar...
Se tudo abrisse e fechasse
E eu pudesse olhar
Talvez não sonhasse
Mas de tanto ver a chave
Começo a dormir suave
Sonho com corações
E suas chaves de torções...
Vejo-os chorosos
Vejo-os melindrosos
Sempre a pulsar
A bater sem parar
Mas lá está a chave
Cada um tem a sua
Para que serve
Ter o coração fechadura?
O coração deve ser aberto!
Acaso é ele objeto?
Se o que sinto é vão
Por que me dói o coração?
Não tenho falta de amor
Mas teria outro sabor
Se pudesse encontrar aberta
A fonte que aquece a vida!
O que choro é diferente
Vem da dor de leis fatais
Que regem pedras e gentes
De instintos reais
Quem desta alma fechada
Tão sublime nos liberta?
O coração da amada?
Cadê , então, a porta aberta?
HTSR /003125091980
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