ADOLESCÊNCIA
É primavera. A minha mocidade
Abre as asas douradas à alegria...
Que triunfante sol! Que jovialidade!
No peito, o coração dá bom dia!...
Sim... belo dia! Dia festivo!
Em êxtase às nuvens me elevo!
O grito, ainda inocente, de ser filho
Soa em meu coração, e de meus olhos
A primeira lágrima desliza
De tantas outras que ajuntar iria.
Da vida bela e vivaz
Fui eu conhecer o mundo falaz
Não maldigo o rigor do destino
Valhesse-me o atino
Choro da dor
De seu hediondo furor
Da ferocidade da existência
Do sofrer de sua carência
Só a leve esperança em toda a vida
Disfarça a pena de viver, mais nada
Mas existirá esperança?
Tem esta substância?
Cadê a esperança?
Será só essência?
O sonho da alegria
De que um dia viria
É uma hora feliz, aliada
Que não chega nunca em toda a vida
Não tenho esperança
Em minha consciência
Não a vejo
Portanto não a almejo
Da infância já passei
Matéria não achei
Do triste esperar
Estou no enfastioso cansar
Cadê a felicidade que supus?
Cadê a fé que nela pus?
Dos horizontes azuis
Agora emanam lastimosos uis
De meus belos horizontes
Fugiram-me todas as fontes
É tão pouco o que desejo
Que nem é desejo
Quando um amigo busquei
O mundo deserto achei
Óh, como chorei
Como chorei
Só tive contentaqmento
Quando ouvi a voz do vento
A estrela do meu destino
É tão sem tino
Eclodindo a razão da tristeza
Vejo nela beleza
Em nada há razão
É tudo tão vão
De viver tanto
Não sei se existo
Sei que vivo
Mas o que é isso?
HTSR/002617091980
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