Quem sou eu

Uma entidade difícil de definir pelo formalismo lingüístico. Entretanto, enquanto sujeito, defendo a liberdade de crítica e pratico a crítica da liberdade. Conseqüência: caminhar sobre o "fio da navalha" buscando o equilíbrio entre a transgressão e a disciplina, entre o rigor e a suavidade; tendo como "sol", a iluminar-me e a apontar-me o horizonte, a emancipação conferida pela reflexão ética e como forma primeira de expressão: a poesia.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Em alto Mar

ADOLESCÊNCIA

Estamos em alto mar
Nuvens escuras rondam o ar
Forças estranhas no horizonte
Rugem como se desabassem os montes

Num pérfido perfil
Que aos Deuses faz tremer
Envolve a mim, desgraçado vil
A potestade! Numa áurea de dor e sofrer

Turbilhões impetuosos
De maneira horrenda
Parecem mostrar imperiosos
Quem nos mares manda

A tempestade implacável
Abre sobre seu negro véu
Riscos de glória cruel
Ameaçando mandar-nos ao léu

Oh, musa inspiradora
Quem salvará nosso barco banal
Da força demolidora
Das ondas do mal?

De modo sagaz
Encobrem nosso barco
As águas que o vento traz
Num grande e medonho arco

Já nos engole o mar
Estamos a perecer
Onde iremos aportar

Até o amanhecer?

Frio e cruel está o oceano
E nós entregues ao abandono
Em vão clamamos por socorro
Num fúnebre e triste coro

Oh, Senhor Poderoso
Que as águas pode acalmar
Livrai do fim desastroso
Aqueles que não podem aos mares enfrentar

Eis que as estrelas se calam
Ao som das ondas que resvalam
Proteja-nos, oh Santa Divindade

De tão rude tempestade
Aplacai o tufão
Que ameaça a todos afogar
Sobre o turbilhão
Que a nós pode matar

Guia-nos a um porto seguro
Livrando deste apuro
As vidas inseguras
Dos que estão às escuras

Traga-nos de volta o amanhecer
Que a noite como cúmplice fugaz
Retirou de nosso ver
Para dar a tempestade falaz

Dai-nos a nívea paz
Que levaram os rudes ventos
Ocultos de teu olhar capaz

Para os conventos infindos

HTSR/005 29041978

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