ADOLESCÊNCIA
Estamos em alto mar
Nuvens escuras rondam o ar
Forças estranhas no horizonte
Rugem como se desabassem os montes
Num pérfido perfil
Que aos Deuses faz tremer
Envolve a mim, desgraçado vil
A potestade! Numa áurea de dor e sofrer
Turbilhões impetuosos
De maneira horrenda
Parecem mostrar imperiosos
Quem nos mares manda
A tempestade implacável
Abre sobre seu negro véu
Riscos de glória cruel
Ameaçando mandar-nos ao léu
Oh, musa inspiradora
Quem salvará nosso barco banal
Da força demolidora
Das ondas do mal?
De modo sagaz
Encobrem nosso barco
As águas que o vento traz
Num grande e medonho arco
Já nos engole o mar
Estamos a perecer
Onde iremos aportar
Até o amanhecer?
Frio e cruel está o oceano
E nós entregues ao abandono
Em vão clamamos por socorro
Num fúnebre e triste coro
Oh, Senhor Poderoso
Que as águas pode acalmar
Livrai do fim desastroso
Aqueles que não podem aos mares enfrentar
Eis que as estrelas se calam
Ao som das ondas que resvalam
Proteja-nos, oh Santa Divindade
De tão rude tempestade
Aplacai o tufão
Que ameaça a todos afogar
Sobre o turbilhão
Que a nós pode matar
Guia-nos a um porto seguro
Livrando deste apuro
As vidas inseguras
Dos que estão às escuras
Traga-nos de volta o amanhecer
Que a noite como cúmplice fugaz
Retirou de nosso ver
Para dar a tempestade falaz
Dai-nos a nívea paz
Que levaram os rudes ventos
Ocultos de teu olhar capaz
Para os conventos infindos
HTSR/005 29041978
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