ADOLESCÊNCIA
Não sei o que é a Natureza
Mas, canto-a
Vejo sua beleza
E adoro-a
Se digo que as flores sorriem
É porque sorriem
Se digo que os rios cantam
É porque cantam
Para que mais?
À mim é assim
Só para mim
E nada mais
Não porque julgue haver cantos
Em flores ou rios
E alegrias e sorrisos
Nos mesmos e outros
Mas é porque assim
Torno mais falso a mim
Como é tudo que existe
E até que não existe
É tudo tão falso
Tudo tão metafísico
Que nada alcanço
E cá eu fico
Fico só em mim
Sem crer nem pensar
Sem também esperar
Como que vindo do fim
Há metafísica no nada
Lances do fundo da alma
Só e em calma
Fico sem sonho ou fada
Que grande besteira
Meu cérebro até se empoeira
De ficar tão vazio
E pensar sem alívio
O não pensar
É bem pior que o pensar
As idéias se confundem e se embaralham
Não sei de onde vêm e para onde vão
O bom mesmo é cantar
E até inventar
Criar novas vidas
Sem deusas ou fadas
Por isso canto a Natureza
Vejo nela clareza
Com ela vivo e sonho
E nela fé eu ponho
Constituição íntima das coisas
Sentido íntimo do universo
Mais alguma dessas
E não temos mais universo
Do não pensar o mui pensar
É seu polo inverso
Não há nele vida ou verso
Só há dor e cansar
O mistério das coisas?
Sei lá o que é mistério!
Vejo razão nas coisas
O rsto é com o que cemitério
Para ver razão nas coisas
Apenas olho e sinto
Só e quieto
Sem pés ou asas
O único sentido íntimo das coisas
É elas não terem sentido íntimo nenhum
É tudo tão simples e comum
Só de graças e belezas
O que penso do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse nisso pensaria
E mais doente ficaria
Ah... como os mais simples dos homens
São tão confusos e estúpidos
E estão de parabéns
De ciência e técnica vestidos
E eu, pensando em tudo isso,
Fiquei outra vez menos feliz
Dos versos que fiz
Neles eu existo
Porque não cantei a borboletinha?
Quanta graça tinha
Com suas asinhas coloridas
Aqui fiquei eu: com porém e nadas....
HTSR/003225091980
Nenhum comentário:
Postar um comentário