Quem sou eu

Uma entidade difícil de definir pelo formalismo lingüístico. Entretanto, enquanto sujeito, defendo a liberdade de crítica e pratico a crítica da liberdade. Conseqüência: caminhar sobre o "fio da navalha" buscando o equilíbrio entre a transgressão e a disciplina, entre o rigor e a suavidade; tendo como "sol", a iluminar-me e a apontar-me o horizonte, a emancipação conferida pela reflexão ética e como forma primeira de expressão: a poesia.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Antes a Natureza

ADOLESCÊNCIA

Não sei o que é a Natureza
Mas, canto-a
Vejo sua beleza
E adoro-a

Se digo que as flores sorriem
É porque sorriem
Se digo que os rios cantam
É porque cantam

Para que mais?
À mim é assim
Só para mim
E nada mais

Não porque julgue haver cantos
Em flores ou rios
E alegrias e sorrisos
Nos mesmos e outros

Mas é porque assim
Torno mais falso a mim
Como é tudo que existe
E até que não existe

É tudo tão falso
Tudo tão metafísico
Que nada alcanço
E cá eu fico

Fico só em mim
Sem crer nem pensar
Sem também esperar
Como que vindo do fim

Há metafísica no nada
Lances do fundo da alma
Só e em calma
Fico sem sonho ou fada

Que grande besteira
Meu cérebro até se empoeira
De ficar tão vazio
E pensar sem alívio

O não pensar
É bem pior que o pensar
As idéias se confundem e se embaralham
Não sei de onde vêm e para onde vão

O bom mesmo é cantar
E até inventar
Criar novas vidas
Sem deusas ou fadas


Por isso canto a Natureza
Vejo nela clareza
Com ela vivo e sonho
E nela fé eu ponho

Constituição íntima das coisas
Sentido íntimo do universo
Mais alguma dessas
E não temos mais universo

Do não pensar o mui pensar
É seu polo inverso
Não há nele vida ou verso
Só há dor e cansar

O mistério das coisas?
Sei lá o que é mistério!
Vejo razão nas coisas
O rsto é com o que cemitério

Para ver razão nas coisas
Apenas olho e sinto
Só e quieto
Sem pés ou asas

O único sentido íntimo das coisas
É elas não terem sentido íntimo nenhum
É tudo tão simples e comum
Só de graças e belezas

O que penso do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse nisso pensaria
E mais doente ficaria

Ah... como os mais simples dos homens
São tão confusos e estúpidos
E estão de parabéns
De ciência e técnica vestidos

E eu, pensando em tudo isso,
Fiquei outra vez menos feliz
Dos versos que fiz
Neles eu existo

Porque não cantei a borboletinha?
Quanta graça tinha
Com suas asinhas coloridas

Aqui fiquei eu: com porém e nadas....

HTSR/003225091980

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