Quem sou eu

Uma entidade difícil de definir pelo formalismo lingüístico. Entretanto, enquanto sujeito, defendo a liberdade de crítica e pratico a crítica da liberdade. Conseqüência: caminhar sobre o "fio da navalha" buscando o equilíbrio entre a transgressão e a disciplina, entre o rigor e a suavidade; tendo como "sol", a iluminar-me e a apontar-me o horizonte, a emancipação conferida pela reflexão ética e como forma primeira de expressão: a poesia.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Idiotice

ADOLESCÊNCIA
A idiotice que me cerca
Me sufoca e me cega
E minha alma sofrega
Daqui não sai nem fica

Se desmorono o meu presente
Meu futuro já é poeira
Meu passado não existe
É tudo tão asneira

A existência mentirosa
À mim se mostrou airosa
A vida e a felicidade há muito passaram
E espelhos vagos as refletiram

Na côr do mundo mundo degradante
Não vi que sou doente
Na idiotice que me rodeia
E tanto me odeia

Toda a ternura que eu poderia ter vivido
Toda a grandeza que eu poderia ter sentido
Nunca achei
No muito que busquei

Como me enterneço de mim
Até choro por mim
Na vida não vi beleza
Nem luz, nem clareza

Os parvos me fizeram sombra
E eu cá fiquei de sobra
Sem tocar, nem sentir
Sem ver, nem ouvir

Em tudo houve um começo que errou
Asa que se prendeu e não voou
Porque estúpidos não compreendem
Não vêem, nem querem

Num ímpeto difuso de encanto
Tudo encetei e nada possui
Hoje de mim só resta o desencanto
Das coisas que sonhei mas não vivi

A obsessão débil de um sorriso
Levou-me à dor do acaso
Transportou-me os olhares de quebranto
Pasmo a sonhos de fausto

A idiotice que me abraça
Cobriu-me de farsa
Já não vivo para sentir
Existo por existir


HTSR/004013101980

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