ADOLESCÊNCIA
O quarto é simples e pequeno
De tijolos rústicos é feita
A singela parede
Sem bugigangas ou enfeites
Na tosca mesa
Num canto do quarto escuro
Repousa entre partituras
A já velha flauta
A janela estreita
Mal permite que a tênue luz
Tão fraca ilumine
O pouco que há para se iluminar
Na cadeira balouçante
O tocador se fixa nos papéis
Procurando o que não se sabe
Nas pautas já quase desfeitas
Escrevendo e refazendo coisas
Esquecido do tempo
Que já lhe esqueceu
Vive um mundo de notas e compassos
Ah! Quantas vezes pensando nela
Por horas mortas postou-se assim
Insone e triste à mesa
Tardas vigílias passando em vão
Seu espírito habita a imensidade
Uma ânsia cruel de liberdade
Agita e abala as formas fugitivas
De sua singular criação
Em suas mínimas e colcheias
Escoa-se a vida humanamente
É um suscitar de côres endoidecidas
De ser tão só talvez
Quando a música soou
Profunda e plena
Por entre as paredes
Tudo se reduziu à essência
Numa incerta melodia
Toda a sua alma se esconde
Reminiscências do aonde
Pertubam-lhe a nostalgia
Numa ânsia de ter alguma coisa
Divaga por si mesmo a procurar
Tocando em vão sem nada achar
Nada tendo, mas decidido a criar
HTSR/00422101980
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