Quem sou eu

Uma entidade difícil de definir pelo formalismo lingüístico. Entretanto, enquanto sujeito, defendo a liberdade de crítica e pratico a crítica da liberdade. Conseqüência: caminhar sobre o "fio da navalha" buscando o equilíbrio entre a transgressão e a disciplina, entre o rigor e a suavidade; tendo como "sol", a iluminar-me e a apontar-me o horizonte, a emancipação conferida pela reflexão ética e como forma primeira de expressão: a poesia.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

O Flautista

ADOLESCÊNCIA

O quarto é simples e pequeno
De tijolos rústicos é feita
A singela parede
Sem bugigangas ou enfeites

Na tosca mesa
Num canto do quarto escuro
Repousa entre partituras
A já velha flauta

A janela estreita
Mal permite que a tênue luz
Tão fraca ilumine
O pouco que há para se iluminar

Na cadeira balouçante
O tocador se fixa nos papéis
Procurando o que não se sabe
Nas pautas já quase desfeitas

Escrevendo e refazendo coisas
Esquecido do tempo
Que já lhe esqueceu
Vive um mundo de notas e compassos

Ah! Quantas vezes pensando nela
Por horas mortas postou-se assim
Insone e triste à mesa

Tardas vigílias passando em vão

Seu espírito habita a imensidade
Uma ânsia cruel de liberdade
Agita e abala as formas fugitivas
De sua singular criação

Em suas mínimas e colcheias
Escoa-se a vida humanamente
É um suscitar de côres endoidecidas
De ser tão só talvez

Quando a música soou
Profunda e plena
Por entre as paredes
Tudo se reduziu à essência

Numa incerta melodia
Toda a sua alma se esconde
Reminiscências do aonde
Pertubam-lhe a nostalgia

Numa ânsia de ter alguma coisa
Divaga por si mesmo a procurar
Tocando em vão sem nada achar

Nada tendo, mas decidido a criar

HTSR/00422101980

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