Quem sou eu

Uma entidade difícil de definir pelo formalismo lingüístico. Entretanto, enquanto sujeito, defendo a liberdade de crítica e pratico a crítica da liberdade. Conseqüência: caminhar sobre o "fio da navalha" buscando o equilíbrio entre a transgressão e a disciplina, entre o rigor e a suavidade; tendo como "sol", a iluminar-me e a apontar-me o horizonte, a emancipação conferida pela reflexão ética e como forma primeira de expressão: a poesia.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Lembranças e Ilusões

ADOLESCÊNCIA

Toca suavemente, ao piano,
Um lindíssimo improviso,
Levendo-me em engano
A sonhos e sorrisos...

Leva-me longe, em suspiro profundo
Além do que desejo e que alcanço
Lá mui longe, onde do viver me esqueço
E das formas incoloridas do mundo

Vagando não sei por onde
Vejo o que acordado não pude
Esquecendo da realidade da vida
Vejo-a em moldes metafísicos erguida

Lá o choro é diferente
Entra menos na alma da gente
É tudo tão evaporante
Ocorre tão rapidamente

É tudo tão macio, tão leve
Que eu, desajeitado, desiquilibro-me!
Segurar-me de nada me serve
Não há substância e tudo me some...

Que mundo engraçado
É tudo tão disforme...
De nuvens errando...
Que fiz de mim? Perdi-me!

Guia-me só a razão
Não me deram nenhum guia!
Alumia-me em vão?
Mas só ela me alumia!

Como alguém distraído na viagem
Segui por dois caminhos, par a par...
Fui em parte com a paisagem
E em parte comigo – sem sentir nem lembrar

O tempo em que hei sonhado
Quantos anos foram de vida
Quanto do meu passado
Só de vida mentida

Agora o vazio impera
De tudo que eu não era
Tudo foi um improviso

De olhares e sorrisos

Já não me recordo quem fui
Chegado onde estou, não me conheço
O que faço aqui?
No meu próprio caminho me atravesso!

Não conheço quem fui no que hoje sou
Quero me lembrar, mas já passou
Sem matéria não há lembrança
É que nem o esperar...

Como à páginas já relidas volto
Minha atenção sobre o que fui de mim.
E nada de verdade em mim encontro
Não sei se sou princípio ou fim!

Tenho saudades de mim
De onde vim
E porque vim
Não me quero assim

Isso lembra a tristeza
E a lembrança é que entristece!
Dou à saudade a riqueza
As emoção que me aqueçe

O som morto das nuvens mansas
O leve som das águas lentas
Leva não só as lembranças
De imagens nevoentas

Mas em seca conformidade difusa
Leva também a confiança rasa
E a morta esperança
Que nada alcança

Morta não porque tem que ser
Mas porque há de morrrer
No amplo azul vaga e solta
Com meu passado que não volta

Silenciado o piano
Vê-se o branco pano
De ilusões lembradas

Agora para sempre caladas...

por HTSR/002923091980

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