ADOLESCÊNCIA
Se eu, ainda que ninguém,
Pudesse ter, sobre a face,
O clarão fugace
Que aquelas árvores tem...
Se eu, que não sou ninguém,
Pudesse ter o ser
E me enobrecer...
Mas não sou ninguém...
Tão bom ser alguém.
Tão bom ter vintém.
Sinônimo de posição?
Estranha sensação...
Que brisa fragrante
Me vem, neste instante,
Daquelas árvores
A balançar folhas suaves...
Tudo que faço ou medito
Fica sempre na metade.
Querendo, quero o infinito!
Fazendo, nada é verdade!
Por querer amar, encontrei dor.
Tirou-me da vida o vigor!
Por não ser alguém
Fiquei ainda mais ninguém!
Ah! Se não fosse ninguém!...
Teria da vida o amor!
O gostar daquele alguém
Que tem em si valor!
Se eu, ainda que ninguém,
Pudesse ter a alegria...
Aquela que não esfria...
Então, mais que ninguém,
Seria feliz,
Ainda que por um triz,
Ao menos para viver
Longe do sofrer...
HTSR/002415091980
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