ADOLESCÊNCIA
O som da cascata misturava-se
Ao do violino, suave e doce
Que de uma casa distante provinha
Dando forma a uma melodia
Tão pura e celestial
Tão sinfônica e aromal
Que impossível para mim seria
Descrevê-la nesta poesia
O coral dos pássaros
O borbulhar das águas
O vento das folhas
O estalido dos galhos
Junto ao som do clarim
Criam em mim
Um espírito
Tão sedento
Que deixo-me envolver
Pela auréa de místicos encantos
Que me cercam, para adormecer
Sobre a farta relva
Acalentado pela natureza
Eleito ao perfume do jasmim
Sonho com aquela que para mim
É como a vida
Vejo-a entre as flores caminhar
Cabeça ereta e audaz
A iluminar-lhe a tenaz
Está a beleza exemplar
A brisa suave e morna
Ao levantar-lhe a fímbria azul
Do vestido, envolve-a
Numa aúrea de formosura anil
Sua graça sem par
Suas formas celestiais
Tão bela a tornam
Quanto as maravilhas divinas
Graciosa, a sorrir, vejo-a deslizar
Sobre o verdejante tapete
Que molhado do lúbrico orvalho
Ainda se encontra
Vejo-a ainda meiga e suave
Chegar-se a mim
Em vivas flamas do olhar
E com seu ósculo ardente
Balbuciar-me doces palavras
Provindas de um cálido amor
Que brota de sua formosa alma
Dona de um puro e meigo coração
HTSR/000323031978
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