Quem sou eu

Uma entidade difícil de definir pelo formalismo lingüístico. Entretanto, enquanto sujeito, defendo a liberdade de crítica e pratico a crítica da liberdade. Conseqüência: caminhar sobre o "fio da navalha" buscando o equilíbrio entre a transgressão e a disciplina, entre o rigor e a suavidade; tendo como "sol", a iluminar-me e a apontar-me o horizonte, a emancipação conferida pela reflexão ética e como forma primeira de expressão: a poesia.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Uma Festa Triste

ADOLESCÊNCIA

Repicam os sinos e os fogos
As trompas e os trompetes
Soam com flautas e oboés
Alegres e gloriosos

O dia é festivo
O sol está faustoso
Tudo é gostoso
E de colorido vivo

O amanhecer é mui belo
De esplendor redundante
No fundo o tímpano e o fagote
Da alegria e vida fazem o elo

A borboleta a voar
O pássaro a a cantar
Tudo a acordar
Quero cantos entoar

Em adágio começa a manhã
É seu primeiro movimento
Passa em seguida ao moderato
Não são coisas vãs

Não sei se sou infeliz
O lago nada me diz
É espectador tímido
Igual a mim, perdido

Tenho dito tantas vezes
Quanto sofro sem sofrer
Que não sei se vou sofrer
Ou se já sofro talvez

Boiam leves, desatentos
Como no sono dos ventos
Boiam como folhas mortas
À tona de águas paradas

Meus pensamentos de mágoa
Por que me lamentar?
Deveria correr, pular

Como os peixes da lagoa

Lá fora existe festa
Cá dentro a música continua
Pela estreita fresta
Espia minha alma nua

Pequenos e ágeis roedores
Parecem executar um Musette
No lago peixes corredores
Assemelham-se ao regente

Tento a festa acompanhar
Não consigo, porém, um tom entoar
De minh'alma muda e triste
Por que isto existe?

Comtemplo o lago suave
Que uma brisa estremece
As árvores a sacudirem
E suas folhas a cairem

Não sei se penso em tudo
Ou se tudo me esquece
Nada me aquece
A luz, o sol e tudo

Falta-me ela
Sim, ela... o complemento
Que revigora meu intento
E me tira da mazela

Os sinos repicam
A música chega ao fim
A verdade vem enfim
Os sonhos se vão

Quero-os de volta
A verdade é morta
São coisas vestindo nadas
Pós remoinhando nas portas

Quero-os de volta
Como o sono dos ventos
Vestígio do que não foi

Sei que não existe, mas não dói

HTSR/002516091980

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