ADOLESCÊNCIA
Cardos, espinhos e dor...
Eis tudo que vejo na vida,
Numa existência lúdrica,
Preenchida de fétido odor.
Humanidade infame!...
Que fado desumano!
Tentou a vida tragar-me,
Débil e ufano!...
Lançando-me a pobreza,
Mísera tristeza
Ao meu coração varou!
Oh, que infeliz que sou...
Lágrimas, suor e sangue
Perseguem a mim já exangue
E num macabro culto,
Procuram levar-me ao túmulo...
A morte... fúnebre serpente!
Que torvo olhar! Que gesto de demente!
Que buscas coisa impudente,
Demônio faminto, pelo mundo errante?
Pensas que com minha vida,
Poderás servi-la de comida,
À alma imbecil,
Dos que habitam este mundo hostil?
Torpes e imundos que são,
De profundas chagas proveram-me o coração,
Atirando-me a masmorra do inferno,
Onde sofro delírio eterno...
Não maldigo o rigor da iníqua sorte,
Por mais feroz que seja e sem piedade,
Arrancando-me a vida e a felicidade
Quando a rondar-me está a morte...
Porém a dor, que me excrucia e me maltrata,
A dor cruel que o ânimo deplora
É ver de pé lívidos canalhas
A rir-se de minhas migalhas!...
HTSR/000717061978
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